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A Psicologia não surgiu diretamente como uma ciência, começou como um ramo da filosofia e continuou por cerca de 2000 anos antes de emergir como tal.

O termo psicologia foi encontrado pela primeira vez em livros filosóficos do século XVI. Foi formada de duas palavras gregas: “psique” (alma) e “logos” (Doutrina). Por alma, entende-se o princípio subjacente de todos os fenômenos da vida mental e espiritual.

As ideias modernas sobre mente e seu funcionamento foram derivadas da filosofia grega. Uma das primeiras pedras na base da psicologia como ciência foi colocada pelo médico do grego clássico Alcmeão de Crotona no século 6 A.C, que propõe que, a “vida mental é uma função do cérebro”. Esta ideia fornece uma base para entender a psique humana até hoje. Nesta construção filosófica, passamos por vários filósofos gregos notáveis, como Hipócrates (460-370 A.C), Sócrates (469-399 A.C), Platão (428 / 7-348 A.C) e Aristóteles (384-322 A.C). À medida que a perspectiva científica foi sendo desenvolvida, a filosofia começou a perder sua proeminência, assim também a alma. Em seguida, a psicologia foi definida como “o estudo da mente”. A palavra mente era menos misteriosa e vaga do que a alma e, portanto, esta definição foi continuada por algum tempo.

A Psicologia surgiu como uma disciplina científica pelo estabelecimento do primeiro Instituto de Psicologia em 1879, em Leipzig, na Alemanha, por Wilhelm Wundt. (1832-1920). É aqui que os primeiros psicólogos profissionais adquiriram as competências de trabalho experimental para estudar a mente. Decorrido tempo, o desenvolvimento da Psicologia como uma ciência independente ganha força. Os psicólogos começaram rejeitando os diferentes métodos e abordagens baseadas em especulações e tentaram fornecer base científica para o assunto. No Brasil, a psicologia fazia parte da grade no curso de medicina do Rio de Janeiro e teve sua regulamentação como profissão no Brasil, somente em 27 de agosto de 1962.

Esses esforços resultaram no surgimento de diferentes escolas de pensamento como o estruturalismo, Psicologia Analítica, o funcionalismo, Behaviorismo, gestaltismo, Psicanálise, Escola humanista, Cognitivismo, entre muitas outras. A formulação destas escolas é o que chamamos de abordagens psicológicas, que buscam compreender o comportamento de várias maneiras. Às vezes a questão da abordagem pode gerar uma dúvida em quem busca a psicoterapia.

Importante dizer que não existe uma linha ou abordagem “melhor” ou “pior” que outra. Depende muito do que o cliente está buscando, e qualquer uma delas tem plenas condições de “dar conta” das demandas trazidas pelos clientes, portanto é uma questão de afinidade ou identificação do cliente com a linha utilizada.

Por que psicoterapia?

Algumas vezes você pode se sentir triste e desanimado, e perceber que a situação persiste mais do que deveria. Por causa de preconceitos sociais (que já foram muito piores, afinal “não sou louco!”), você tem vergonha de contar para as pessoas mais próximas, sua família e seus amigos, e mais ainda, de buscar ajuda psicológica. Você até desabafa, mas não consegue mudar a situação. Se vê sem esperanças, sente que as pessoas já não te entendem mais. No meio dessa situação que você nunca havia experimentado você não sabe o que fazer, não consegue “enxergar” soluções e caminhos. Sua autoestima está baixa, a sua autoconfiança também. É tudo novo e bem desanimador, você tenta de um lado e de outro e seu sentimento não muda.

São inúmeros os motivos que podem trazer uma pessoa a fazer a psicoterapia, mas, em geral, busca-se o alívio para algum sofrimento. Certamente, a aflição que é sentida é produto do ambiente no qual se vive, produzindo, dessa forma, sentimentos negativos. Ansiedade, tristeza, angústia, medo, pânico, escolhas confusas são assuntos presentes no consultório.

Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que cunhou o conceito de pós-modernidade e mundo líquido, a modernidade imediata é “líquida” e “veloz”, mais dinâmica que a modernidade “sólida” que suplantou. A passagem de uma a outra acarretou profundas mudanças em todos os aspectos da vida humana. A modernidade líquida seria “um mundo repleto de sinais confusos, propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível”. Na sociedade contemporânea, emergem o individualismo, a fluidez e a efemeridade das relações. “Vivemos em tempos líquidos. Nada foi feito para durar”, essa é uma das frases mais famosas do sociólogo, falecido em janeiro de 2017, aos 91 anos. Ele deixou uma obra volumosa, com mais de 50 livros, e é considerado um dos pensadores mais importantes do século.

Já parou para pensar como a grande maioria dos problemas que vivenciamos está direta ou indiretamente relacionada com a forma com a qual nos relacionamos com pessoas, objetos e situações? Por isso Bauman define também a depressão como o mal do século. Quando não estamos bem conosco, buscamos a solução fora de nós, tentando preencher o “vazio existencial” com estas relações, atribuindo a responsabilidade pelo que estamos passando para algo fora de nós e assim nunca estamos totalmente satisfeitos, sempre com a sensação de que “falta algo”. A psicoterapia pode contribuir muito para mudar isso. Através deste processo é possível ter um tempo para olhar para nós mesmos, nossos valores, propósitos e perceber o que há de bom e o que podemos tornar ainda melhor.

Um ponto chave a ser trabalhado neste processo é a autoestima, pois a partir do momento que me valorizo como pessoa, permito-me ser mais feliz e desenvolvo a amorosidade comigo mesmo. Podemos inclusive adoecer por não cuidarmos dos nossos sentimentos e do que nos incomoda. Às vezes estamos magoados, tristes ou com raiva de algo e ficamos “esperando passar”, em vez de entrar em contato com estes sentimentos de maneira positiva, utilizando-os como aprendizado para sermos pessoas melhores a cada dia ou solucionarmos conflitos com outras pessoas. Importantíssimo, quando necessário, trabalharmos com a questão do perdão, assunto que abordarei em outro artigo.

Pense a respeito, tome as rédeas de sua própria vida e não tenha vergonha de procurar ajuda!

Alberto Tort

Psicólogo CRP 06/148882